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9 de set. de 2012

FOI ASSIM

Posto vídeo produzido no âmbito da disciplina Laboratório em Áreas de Intervenção do Serviço Social, ministrada pela profa. Cida Cassab, do curso de Serviço Social da UFJF.

Sua postagem pretende reforçar a possibilidade de construirmos outras formas de ver e viver os jovens.


Sobre o "ranking" das Universidades publicado pela Folha

Sinceramente nunca (ou quase nunca) vi uma coisa tão ridícula e desrespeitosa com a Universidade Pública como esse "ranking" inédito recentemente divulgado pela Folha de São Paulo.

Não dá nem para levar a sério uma coisa dessa. Basicamente a metodologia consistiu em perguntar a pesquisadores do CNPq e a figuras do mercado (gerentes de RH de empresas) quais as universidades eles apontariam como a melhor.

Pergunte ao pesquisador classe A do CNPq da USP qual a universidade qu
e ele considera melhor? Pergunte ao gerente de RH de uma empresa de Belo Horizonte, qual ele considera melhor? Será que essas figuras conhecem a existência e a qualidade de universidades que estão fora do eixo do Sul Maravilha?

Mas não apenas isso. Será que podemos comparar kibe com Kiwi? Como vamos avaliar sobre os mesmos critérios universidades já consolidadas com aquelas ainda em processo de consolidação ou mesmo novíssimas universidades? Ou ainda, como vamos comparar universidades que tem acesso a maiores e melhores investimentos em pesquisa, ensino e extensão com aquelas que não tem?

Será uma tremenda coincidência que a maioria das universidades no topo do "ranking" esteja localizada no Sul-Sudeste?

Ainda, será coincidência que esse "ranking" apareça agora, quando da maior greve do ensino superior federal?

Esse "ranking" apenas reflete o que tem sido a intenção e o projeto de universidade desse país. Um pequeno número de universidades onde residem um número ainda menor de intelectuais de ponta. Esses sim com acesso e incentivos reais. Definidos por critérios de avaliação fundamentados em princípios produtivistas, competitivos e de mercado.

E as demais? São apenas as OUTRAS. Se transformam em "escolões" para garantirem o mínimo de acesso ao ensino superior. Apenas isso.

Surpreende alguém levar isso a sério!

6 de set. de 2012

EM DEFESA DOS JOVENS E DAS JUVENTUDES

EM DEFESA DOS JOVENS E DAS JUVENTUDES

Ontem, dia 05 de setembro de 2012, foi vinculada no MGTV a reportagem “Ocorrências envolvendo jovens são cada vez mais frequentes em Juiz de Fora, MG” (http://g1.globo.com/videos/minas-gerais/triangulo-mineiro/mgtv-2edicao/t/zona-da-mata-e-vertentes/v/ocorrencias-envolvendo-jovens-sao-cada-vez-mais-frequentes-em-juiz-de-fora-mg/2124992/). Cheia de preconceitos, senso comum e ódio em relação aos jovens.

A violência é atribuída única e exclusivamente ao jovem e a sua índole naturalmente violenta. Ou então se culpa a família. Diz o PM: “quando se tem uma família bem estruturada, com educação, com imposição de limites, com imposição de respeito às autoridades e a comunidade de uma forma geral, isso tende a ser evitado”. E completa sentenciando e ao mesmo tempo apontando o culpado: “Então, a questão familiar é um dos problemas maiores”. A solução? Os programas da PM que ensinam a importância de estar longe das drogas e, principalmente, o respeito às autoridades.

Posição também defendida pelo Secretário Geral da OAB que nos ensina: “concordamos que o problema vem da família, (…) mas precisamos também de uma polícia militar mais ostensiva. (…) e de uma polícia civil com mais policiamentos, para que possa investigar esses crimes, esses delitos”. E completa: “porque o problema é da família, mas é também do tráfico de drogas”.

E a repórter dá sua opinião de autoridade. “A família também é importante”. Claro, lembra o secretário da OAB: “Precisamos mexer com o pessoal da igreja católica, com os pastores, os evangélicos (…)”.

As autoridades nos apresentam os culpados: a família, o tráfico e o próprio jovem. E também nos apresentam a solução: ensinar aos jovens a rezar e o respeito à autoridade, além do policiamento ostensivo, de programas para retirarem os jovens das ruas, da punição exemplar para amedrontar os outros “menores”.

Infelizmente não posso dizer que tais falas tenham me surpreendido (embora ainda me indignem). Não é de hoje que tal discurso vem sendo reproduzido e difundido. Frequentemente são os jovens pensados como atores sem identidades, vontades, desejos e ações próprias. Nessa interpretação, são definidos pela ausência e pelo que não seriam. Sujeitos que precisam de constante vigilância, controle e tutela para que não se pervertam ou não se percam no mundo das drogas ou do crime.

Discurso que esquece sua real inserção socioeconômica. Sujeitos que experimentam um mundo cada vez mais marcado pela falta de horizontes profissionais, pelas altas taxas de desemprego, pela falta de equipamentos socioculturais, de acesso a uma educação de qualidade. Enfim, restrições materiais e simbólicas vividas cotidianamente pelos jovens pobres das cidades.

Não é possível falar dos jovens urbanos sem pensar nas suas condições de vida, suas atuais e futuras oportunidades e nos sonhos passíveis de se realizarem nessa cidade. Dividindo-se entre a necessidade de estudar e trabalhar, em querer ter lazer e não ter acesso a ele, de querer acompanhar a velocidade do mundo digital e não ter acesso a um computador, esse jovens vivem cotidianamente a cidade sem a ela pertencerem de fato.

A todas essas dificuldades se acresce uma posição cada vez mais intolerante e julgadora dos comportamentos e diferenças desses jovens, que são sistematicamente associados à ideia de violência e delinquência. São os jovens, especialmente quando pobres e negros e da periferia, os sujeitos perigosos. Sua reunião pelas ruas e seu movimento pela cidade, seja na busca de lazer ou mesmo na procura de emprego, é visto como potencialmente perigosa. A ocupação da cidade pelos jovens só é tolerada dentro dos limites da ordem imposta pelos adultos, o que significa de forma disciplinada, preferencialmente sozinhos e restrita a determinados bairros.

Sua invisibilidade manifesta à ausência de direitos corporificados por esses sujeitos. Presos em sua condição de desigualdade eles produzem e reproduzem sua condição de seres desiguais socioespacialmente.

“Analises” como as divulgadas por essa matéria desconsideram, por exemplo, que morar em um bairro periférico significa vivenciar de forma intensa as refrações da questão social geradas pelo capitalismo contemporâneo e que a dinâmica socioespacial interfere nas experiências socioculturais e nas interações que os jovens realizam com o outro.

Presos em seus bairros de origem, confinados no acesso aos bens materiais e simbólicos presentes na cidade, imersos em situações precárias de trabalho, alvo de políticas de contenção, vítimas da violência, os jovens pobres de nossas cidades tem sua existência cada vez mais presentificada.

Reportagens como essas, pretensamente informativas, apenas acirram o ódio e o preconceito sobre esses jovens, naturalizando sua condição desigual, negando ou limitando a estes jovens seu presente e seu futuro.

O desafio está em reconhece-los como sujeitos cujo movimento descortina estratégias que pretendem superar os limites impostos a eles e que afirmam sua visibilidade e sua presença na cidade como seres políticos. É dessa forma, portanto, que se crê ser possível pensar a juventude e a cidade como categorias políticas superando as leituras que tratam a primeira como abstração e a segunda como objeto.

Obrigando-nos a pensar a dimensão política da cidade, a cidade como polis, como dimensão espacial da cidadania. E os jovens como sujeitos. O que, evidentemente, nos força a pensar como a cidade pode ser espaço de convivência, de troca, de celebração a diferença. Espaço material e simbólico para e na construção de estratégias que projetam um presente e um futuro possível a esses jovens.

É mais do que hora de reconhecermos o quinhão de responsabilidade que temos com esses jovens. Somente assim, podemos nos reconhecer como sendo de fato, uma sociedade.


Juiz de Fora, 06 de setembro de 2012

Clarice Cassab

Profa. do curso de Geografia da UFJF
Coordenadora do Núcleo de Pesquisa Geografia, Espaço e Ação

27 de mai. de 2012

EDUCA, DILMA!

"(...) não se pode estabelecer com o professor uma relação de atrito quando o professor pede melhores salários, recebê-los com cassetete ou interromper o diálogo. O diálogo é fundamental no respeito a essa profissão".

Fala da atual presidente durante debate eleitoral.

A fala completa pode ser escutada aqui: https://www.youtube.com/watch?v=5ThtUMN39K8&feature=player_embedded

EDUCA, DILMA!

Se recusar a negociar com os sindicatos, fingir que a greve não está acontecendo, que não atinge mais de 44 IFES, que estudantes de diferentes universidades não estão entrando em greve em apoio ao movimento docente, que reitorias não estão divulgando o apoio ao movimento, chamar os professores de irresponsáveis e a greve de precipitada, não é valorizar os professores e a educação. Queremos respeito e valorização do nosso trabalho!


Professores em greve, professores em luta!

21 de mai. de 2012

Sobre a greve dos professores/as das IFES

Reproduzo aqui nota da professora da Faculdade de Educação da UFRJ. São questões que precisam ser pensadas e respondidas por cada um de nós e por todos nós.

___________++++ ________

 Faz quase três anos que ingressei como professora do quadro efetivo da UFRJ. Considero-me uma professora novata e essa é a primeira vez que irei enfrentar um período de greve, agora ocupando um novo lugar social. Essa também é a primeira vez que quase a totalidade de nossos alunos irá encarar uma greve. Com esse relato, que compartilho com vocês colegas, procuro narrar e, dessa forma, tentar organizar algumas das reflexões e sentimentos diante dessa nova experiência. Minha intenção é principalmente buscar apoio e, quem sabe, oferecer algum para o enfrentamento dessa greve que se configura. Hoje, em minha trajetória recente como professora da UFRJ, o que tenho observado são os espaços coletivos de luta esvaziados, como as assembleias organizadas pelo nosso sindicato. Em uma universidade que enfrenta um evidente processo de renovação de seus quadros, sempre me pergunto porque tantos dos meus colegas, que considero grandes professores e pesquisadores, não estão ai, porque eu mesma não me sinto motivada a participar de forma mais orgânica e quais serão as consequências desse hiato para o futuro da universidade. Será que o espaço do coletivo sindical na universidade parece não ser valorizado por conta do volume de trabalho que somos obrigados a dar conta? Pela lógica produtivista que cada vez mais orienta nosso trabalho? Em função das formas operantes muitas vezes acusadas de caducas de nossos dirigentes sindicais? De nossa relação com o trabalho como uma esfera de atuação e realização individual e imediata e não como produção social e histórica? Em função de nossa crença na importância do conhecimento e no valor de nossas pesquisas que nos impele a acreditar que a defesa pela universidade pública se faz eminentemente na cotidianidade de nossas ações engajadas e compromissadas com a pesquisa? Por que não nos reconhecemos como trabalhadores que precisam enfrentar as forças de exploração do sistema capitalista? Por que nosso compromisso com o futuro e com o outro está relegado apenas ao plano do discurso?
Vejo que na atualidade enfrentamos, no trabalho na universidade, muitas dificuldades, todavia, considero que esse quadro poderia ainda ser mais severo se não fosse a resistência de professores organizados em um coletivo durante o período FHC. Como aluna da UFRJ, que fui durante a gestão PSDB, recordo-me, por exemplo, do quanto eram escassas ou ausentes bolsas e editais para pesquisa e extensão. Como eram carentes às políticas de auxílio estudantil. Da ausência de concursos públicos, do arroxo salarial dos professores e das greves frequentes e longas dos docentes na luta por salários dignos e melhores condições de trabalho. A universidade de hoje não é resultado apenas da ação de governantes (mais sensíveis ou menos a importância da universidade pública de qualidade e democrática), mas da luta política entre os atores sociais. Assim, a luta empreendida por um coletivo organizado não pode ser invisibilizada, desqualificada ou mitificada, mas deve configurar-se como objeto de reflexão crítica. Afinal, se acreditamos que é nesse espaço coletivo que temos mais força de resistência e de ação, parece que o momento histórico exige a reflexão acerca do porque do seu enfraquecimento e do que é preciso fazer para reverter esse quadro. Como cultivar as sensibilidades a seu favor? Acredito que a defesa pela carreira docente e pela universidade pública se realiza, sim, no nosso trabalho individual ancorado no compromisso com nossas ações de ensino, pesquisa, extensão e administração, mas também no reconhecimento de que as condições de realização dessas ações não são dadas e nem naturais, pelo contrário, são objetos de luta política. Apesar de considerar pertinentes e legítimas, não me parece prudente apoiarmos nossas posições favoráveis ou contrárias à greve no plano de nossas questões individuais. É inexorável que a defesa pela universidade pública, de qualidade e democrática nos exija sacríficos pessoais em alguma medida. Em função disso, também, é tão importante que não nos sentemos sozinhos, que não estejamos isolados, que não permaneçamos calados.

Mariana Cassab
(Professora da Faculdade de Educação da UFRJ)

1 de mai. de 2012

Dia Internacional do Trabalhador

 1º de Maio 

Em primeiro de maio de 1886, no bairro de Heymarket, em Chicago - EUA, milhares de trabalhadores foram as ruas lutarem por melhores condições de trabalho, dentre elas, pela redução da jornada para 8 horas semanais. A manifestação foi acompanhada por uma grande greve geral e dias sucessivos de luta e confronto com a polícia, resultando na morte de 12 trabalhadores e o julgamento e de alguns dos líderes do movimento. 

Em 9 de outubro foi dada a sentença: Parsons, Engel, Fischer, Lingg, Spies foram condenados à morte na forca; Fieldem e Schwab, à prisão perpétua e Neeb a quinze anos de prisão.

Em 1889, pela realização da Segunda Internacional Socialista o 1º de maio ficou definido como sendo o Dia Internacional do Trabalhador.

E neste dia não celebramos o trabalho - menos ainda a este trabalho alienante que diariamente realizamos - nem mesmo ao trabalhador - este sujeito amorfo e apolitico que tentam nos vernder - mas sim a luta dos trabalhadores. Estes sim, sujeitos políticos que realizam um trabalho transformador. Trabalho que é "antes de tudo um processo entre o homem e a natureza, um processo no qual o homem por sua atividade realiza, regula e controla suas trocas com a natureza. Ele põe em movimento as forças naturais que pertencem à sua natureza corporal, braços e pernas, cabeças e mãos, para se apropriar das substanciais naturais sob uma forma utilizável para sua própria vida. Agindo assim, por seus movimentos sobre a natureza exterior e transformando-a, o homem transforma ao mesmo tempo a sua natureza” (K. Marx).

Sendo assim: "Viva nós, trabalhadores e sua luta!"


Trechos das falas de Spies e Parsons quando de seu julgamento:


"Se com o nosso enforcamento vocês pensam em destruir o movimento operário - este movimento de milhões de seres humilhados, que sofrem na pobreza e na miséria, esperam a redenção – se esta é sua opinião, enforquem-nos. Aqui terão apagado uma faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês, em todas as partes, as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo e vocês não poderão apagá-lo!" (Spies)

"Arrebenta a tua necessidade e o teu medo de ser escravo, o pão é a liberdade, a liberdade é o pão".

"A propriedade das máquinas como privilégio de uns poucos é o que combatemos, o monopólio das mesmas, eis aquilo contra o que lutamos. Nós desejamos que todas as forças da natureza, que todas as forças sociais, que essa força gigantesca, produto do trabalho e da inteligência das gerações passadas, sejam postas à disposição do homem, submetidas ao homem para sempre. Este e não outro é o objetivo do socialismo" (Parson)

28 de set. de 2011

O eterno custo do crescimento?

Recentemente foi inaugurado, com grande alarde, um novo hiper-mercado na cidade. O Bretas São Pedro. Uma enorme construção que ocupa um terreno enorme de ponta a ponta, atraindo diariamente centenas de pessoas.

Antes de tudo quero frisar que não sou, a priori, contrária ao empreendimento do Bretas São Pedro. Além da comodidade óbvia, reconheço sua importância, inclusive na produção de empregos para o bairro e para a cidade. Contudo, também é preciso reconhecer a importância do direito de vizinhança. Desde sua inauguração, os moradores vizinhos, são obrigados a conviverem com o barulho permanente da casa de máquinas do supermercado.

É de admirar que obras como essas possam ser aprovadas sem que haja nenhum estudo de impacto de vizinhança. E é com tristeza que posso afirmar que este exemplo do Bretas é um em vários que poderiam ser citados.

Vivo em Juiz de Fora tem um pouco mais de 6 anos e é com preocupação que tenho observado a forma predatória pela qual a cidade vem crescendo. A cada dia observo mais e mais prédios sendo erguidos. Empreendimentos que anunciam uma vida de conforto, mas que na realidade são feitos sem a observância dos impactos de vizinhança, trânsito, silêncio, aumento da temperatura urbana, bem estar visual e etc.

O bairro onde moro - São Pedro - tem sofrido ferozmente com isso. Não a toa tem aumentado o número de atropelamentos nas ruas principais. Sem mencionar, buracos, capim crescendo, calçadas lastimáveis. Num bairro onde só tem aumentado o número de prédios e outros empreendimentos, não vejo nenhum investimento em melhoria na rede elétrica, de água ou telefonia, no trânsito, na rede de transporte etc. São Pedro caminha para o caos, se medidas não forem tomadas.

São Pedro é apenas um exemplo. Outros bairros poderiam ser citados.

Agradeço se alguma solução puder ser dada em relação ao Bretas, mas aproveito para registrar que muito ainda haverá para fazer.

E peço que repassem essa nota.

Juiz de Fora, 27 de setembro de 2011
Clarice Cassab
Profa. do DEGEO/UFJF

22 de jan. de 2010

Henri Lefebvre


"o corpo é um elemento espacial (..) o espaço foi produzido antes de ser lido e não é produto para ser lido, mas para ser vivido por pessoas que têm um corpo e uma vida no contexto urbano (...). O homem prova o espaço com todo o seu corpo, o cheiro, as pernas, o ouvido que percebe os ruídos, com o olho que vai vendo, (...) é a partir do corpo que o homem se percebe e vive o espaço (...)".
Henri Lefebvre. A Produção do espaço

17 de jan. de 2010

Haiti - LA MALDICIÓN BLANCA


Eduardo Galeano

Los esclavos negros de Haití propinaron tremenda paliza al ejército de Napoleón Bonaparte; y en 1804 la bandera de los libres se alzó sobre las ruinas.

Pero Haití fue, desde el pique, un país arrasado. En los altares de las plantaciones francesas de azúcar se habían inmolado tierras y brazos, y las calamidades de la guerra habían exterminado a la tercera parte de la población.

El nacimiento de la independencia y la muerte de la esclavitud, hazañas negras, fueron humillaciones imperdonables para los blancos dueños del mundo.

Dieciocho generales de Napoleón habían sido enterrados en la isla rebelde. La nueva nación, parida en sangre, nació condenada al bloqueo y a la soledad: nadie le compraba, nadie le vendía, nadie la reconocía.

Por haber sido infiel al amo colonial, Haití fue obligada a pagar a Francia una indemnización gigantesca. Esa expiación del pecado de la dignidad, que estuvo pagando durante cerca de un siglo y medio, fue el precio que Francia le impuso para su reconocimiento diplomático.

Nadie más la reconoció. Tampoco la Gran Colombia de Simón Bolívar, aunque él le debía todo. Barcos, armas y soldados le había dado Haití, con la sola condición de que liberara a los esclavos, una idea que al Libertador no se le había ocurrido. Después, cuando Bolívar triunfó en su guerra de independencia, se negó a invitar a Haití al congreso de las nuevas naciones americanas.

Haití siguió siendo la leprosa de las Américas.

Thomas Jefferson había advertido, desde el principio, que había que confinar la peste en esa isla, porque de allí provenía el mal ejemplo.

La peste, el mal ejemplo: desobediencia, caos, violencia. En Carolina del Sur, la ley permitía encarcelar a cualquier marinero negro, mientras su barco estuviera en puerto, por el riesgo de que pudiera contagiar la fiebre antiesclavista que amenazaba a todas las Américas. En Brasil, esa fiebre se llamaba haitianismo.

13 de jan. de 2010

Haiti


Se é certo que a natureza é democrática em sua ação seus efeitos não o são. Um país pobre e miserável como o Haiti sofre com muito mais violência e destruição os impactos de um catástrofe natural como essa.

Se o terremoto é natural seus efeitos não deixam de nos levar a refletir sobre as condições históricas que levam a existência de um "Haiti".

A reflexão é precisa, assim como as ações. Mas agora é bem pouco o que podemos fazer diante da tragédia ocorrida.

Não é questão de cada um fazer a sua parte que todo mundo junto pode mudar. Doações são paliativas mas há uma situação imediata.

Quem quiser, puder e se sentir a vontade ...
O GOVERNO BRASILEIRO DISPONIBILIZOU PARA DOAÇÃO ao HAITI uma conta aberta no Banco do Brasil, em nome de SOS Haiti. O número da agência é 1606-3, e a conta corrente, 91.000-7. Os depósitos podem ser feitos de qualquer parte do Brasil e também do exterior.
Divulguem.



"O verdadeiro revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor." É o amor a humanidade que deve direcionar as nossas ações.

21 de nov. de 2009

Manifesto em defesa do MST

Contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais


As grandes redes de televisão repetiram à exaustão, há algumas semanas, imagens da ocupação realizada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em terras que seriam de propriedade do Sucocítrico Cutrale, no interior de São Paulo. A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo.

Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça. Trata-se de uma grande área chamada Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares. Desses 30 mil hectares, 10 mil são terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas e 15 mil são terras improdutivas. Ao mesmo tempo, não há nenhuma prova de que a suposta destruição de máquinas e equipamentos tenha sido obra dos sem-terra.

Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos.

Bloquear a reforma agrária

Há um objetivo preciso nisso tudo: impedir a revisão dos índices de produtividade agrícola – cuja versão em vigor tem como base o censo agropecuário de 1975 – e viabilizar uma CPI sobre o MST. Com tal postura, o foco do debate agrário desloca-se dos responsáveis pela desigualdade e concentração para criminalizar os que lutam pelo direito do povo. A revisão dos índices evidenciaria que, apesar de todo o avanço técnico, boa parte das grandes propriedades não é tão produtiva quanto seus donos alegam e estaria, assim, disponível para a reforma agrária.

Para mascarar tal fato, está em curso um grande operativo político das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST. Deste modo, prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da população brasileira.

O pesado operativo midiático-empresarial visa isolar e criminalizar o movimento social e enfraquecer suas bases de apoio. Sem resistências, as corporações agrícolas tentam bloquear, ainda mais severamente, a reforma agrária e impor um modelo agroexportador predatório em termos sociais e ambientais como única alternativa para a agropecuária brasileira.

Concentração fundiária

A concentração fundiária no Brasil aumentou nos últimos dez anos, conforme o Censo Agrário do IBGE. A área ocupada pelos estabelecimentos rurais maiores do que mil hectares concentra mais de 43% do espaço total, enquanto as propriedades com menos de 10 hectares ocupam menos de 2,7%. As pequenas propriedades estão definhando enquanto crescem as fronteiras agrícolas do agronegócio.

Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT, 2009) os conflitos agrários do primeiro semestre deste ano seguem marcando uma situação de extrema violência contra os trabalhadores rurais. Entre janeiro e julho de 2009 foram registrados 366 conflitos, que afetaram diretamente 193.174 pessoas, ocorrendo um assassinato a cada 30 conflitos no primeiro semestre de 2009. Ao todo, foram 12 assassinatos, 44 tentativas de homicídio, 22 ameaças de morte e 6 pessoas torturadas no primeiro semestre deste ano.

Não violência

A estratégia de luta do MST sempre se caracterizou pela não violência, ainda que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado e das milícias e jagunços a serviço das corporações e do latifúndio. As ocupações objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agrária.

É preciso uma agricultura socialmente justa, ecológica, capaz de assegurar a soberania alimentar e baseada na livre cooperação de pequenos agricultores. Isso só será conquistado com movimentos sociais fortes, apoiados pela maioria da população brasileira.

Contra a criminalização das lutas sociais

Convocamos todos os movimentos e setores comprometidos com as lutas a se engajarem em um amplo movimento contra a criminalização das lutas sociais.

27 de ago. de 2009

Para pensar: Milton Santos

“Devemos nos preparar para estabelecer os alicerces de um espaço verdadeiramente humano, de um espaço que possa unir os homens para e por seu trabalho, mas não para em seguida dividi-los em classes em exploradores e explorados; um espaço matéria-inerte que seja trabalhada pelo homem mas não se volte contra ele; um espaço Natureza social aberta à contemplação direta dos seres humanos, e não um fetiche; um espaço instrumento de reprodução da vida, e não uma mercadoria trabalhada por outra mercadoria, o homem fetichizado” (Milton Santos, em Pensando o Espaço do Homem)

20 de ago. de 2009

Para pensar: Elisée Reclus

"Quando, enfim, o homem vir a conhecer toda a superfície do globo do qual se diz senhor, e a expressão de Colombo – El mundo es poco – tiver se tornado verdade para nós, a grande obra geográfica não será mais percorrer as terras longínquas, mas estudar a fundo os detalhes da região em que vivemos: conhecer cada rio, cada montanha, mostrar o papel de cada parte do organismo terrestre na vida do conjunto ... [O]s verdadeiros poetas da Terra não são somente os escritores e os pintores, mas também os cientistas que nos descrevem os fenômenos”.
Elisée Reclus

28 de jun. de 2009

Plano Nacional de Mudanças Climáticas

Geógrafos (futuros e atuais),

Vale a pena se informarem sobre o Plano Nacional de Mudanças Climáticas. O plano tem quatro eixos estratégicos: mitigação das emissões de gases do efeito estufa, adaptação; pesquisa e desenvolvimento; e divulgação e capacitação.

Abaixo o link de acesso ao Plano. Leiam, discutam, critiquem, sugiram!!

http://www.mma.gov.br/estruturas/169/_arquivos/169_29092008073244.pdf